Criança precisa de rotina 


Para os pais que acreditam que o filho precisa ter tudo o que eles não tiveram, melhor rever o conceito. Os filhos precisam de pais presentes, precisam de rotina: saber onde dormem, o horário das refeições, saber que alguém irá buscá-los após a escola, que em função da separação dos pais a semana ele passará com a mamãe e o final de semana com papai e será amado em ambos os contextos. Precisam de alguém que os ensine a não maltratar os animais, não contribuir para o crescimento do preconceito, a devolver o brinquedo do amiguinho que pegou num momento de inveja, dentre outras regras de conduta que, quando não apontadas contribuem para a formação da personalidade psicótica/perversa.Não é luxo, não é tecnologia, nem viagens à Disney, tampouco é “fast-food” diariamente, apenas o bom e velho amor associado ao tempo de qualidade. Menciono apenas o necessário para a sobrevivência e formação do caráter, o restante são vantagens que podem ser agregadas com moderação, caso caibam no orçamento familiar. Lembrando que, é preferível ter a presença dos pais, do que os bens materiais e a ausência de carinho, de olhar e escuta. A criança vai à praia de fusca e come pão com mortadela feliz da vida. Já o adulto, frequentemente fantasia o que agrada a criança e se estressa mantendo vários empregos para pagar pacotes de viagens internacionais que ocorrem a cada não sei quantos anos.

Vemos exemplos de pessoas que vieram de lar cujos pais eram adictos, e a família era complicada, entretanto, são adultos saudáveis, criativos e bem sucedidos. Outros que vieram de lares aparentemente perfeitos, tendo tudo ao alcance e são pessoas desajustadas emocionalmente. É muito relativo, a criança precisa de uma rotina que transmita segurança, que faça com que ela se sinta amada e desejada e isso ela pode ter morando num casebre ou num castelo. Aos olhos de alguns, criança feliz é criança que tem de tudo, aos olhos de estudiosos do comportamento, criança feliz é criança que tem o necessário e que sabe ser frustrada em algum momento, afinal a vida frustra.

Embora possam ter falhado conosco em algumas áreas, não por negligência mas, por ignorar o peso de determinados atos e palavras para nós, nossos pais nos transmitiram uma bagagem cultural importantíssima:

– Sabe por que apreciamos um pão francês com manteiga e uma xícara de café pela manhã? Rotina compartilhada na mesa de refeições com a família.

– Sabe por que ainda insistimos em comer um bolo no dia de nosso aniversário? Rotina que lembra a infância, as festinhas que mamãe fazia, onde ela mesma preparava e recheava o bolo com leite condensado cozido na pressão.

– Sabe por que cumprimentamos as pessoas? Rotina observada quando saíamos as ruas com nossos pais e avós.

– Sabe por que apreciamos: comer peru no natal, comer macarrão aos domingos, repetir o arroz com feijão e o ovo frito, tomar café e molhar o pão na canequinha, ler bela adormecida, ir à igreja, ir ao cinema, ouvir determinadas músicas … tudo rotina! Hábitos e valores que nos foram transmitido, os quais levamos pela vida e vamos multiplicando através das gerações, com o intuito de ter nossos queridos sempre por perto presencialmente ou na memória.

Não precisamos reproduzir o que é ruim, se temos convicção que algo nos afetou e marcou nossa vida, vamos evitar levar adiante e comprometer a relação com nossos filhos, amigos, e cônjuges. Façamos uma releitura sem pressa de nossa infância, veremos que somos o que somos porque tivemos base e chão firme sob nossos pés, não porque nos foi oferecido games e roupas de grife . Talvez tivemos acesso ao básico do básico mas, não nos faltou o essencial: carinho, amor, disciplina e ROTINA.

Texto por: Gilsemeire Campos

Psicóloga Coach

Atenção: Procedimento padrão iniciado!

  

Eu nunca fui completamente fanática por rotinas. Sempre tive o meu dia padronizado para me organizar, mas nada extremamente rígido. De qualquer forma, sou obrigada a concordar que a rotina nos ajuda e, se muitas vezes traz o tédio, também auxilia na segurança. 

É incrível como a rotina é necessária aos bebês e como eles se sentem seguros com ela. Longe de mim querer ser alguém teórica nesse assunto, mas minha experiência prática com o meu pequeno Lucas me mostrou que rotina traz harmonia para nós dois. 

Desde que Lucas nasceu eu tento implementar uma certa rotina nele. Nad muito rígido, mas o basicão foi feito desde o início: mamar, trocar fraldas, mantê-lo acordado por um tempo e uma boa soneca em seguida. Confesso que a parte da soneca sempre foi a mais difícil para nós dois. Meu bebê nunca foi muito dorminhoco, mas o restante da rotina o deixava seguro e quando ele não dormia, vinha a sequência de mamar de novo e ele se sentia seguro do mesmo jeito. No começo fiquei preocupada com horários, seguindo uma rotina de livros e teorias que me deixavam frustada por eu não conseguir implementar todo o processo com o meu bebê, já que dormir de dia e no verão escaldante de São Paulo não era o forte dele. Aos poucos entendi que cada bebê tem seu ritmo e no segundo mês já havíamos nos adaptado à esse ritmo natural, sem a pressão dos horários, mas seguindo apenas essa rotina de etapas: amamentar, trocar fraldas, brincar e dormir (quando ele conseguir achar Morfeu). Assim posso dizer que Lucas não trocou o dia pela noite e isso ajudou muito na segurança dele e na minha. Com essas etapas eu conseguia identificar melhor as necessidades dele, se era fome ou sono ou estava sujo. Acho que ele também passou a entender que não precisava chorar, que ele sempre seria amamentado, limpo e aconchegado. 

A rotina do sono da noite foi sempre a mais bem implementada aqui em casa e a que deu certo desde o princípio. Sempre fiz questão de esperar meu marido chegar do trabalho para começar essa rotina de fim de dia. Quando o marido chegava em casa ele tinha um tempo para brincar com o bebê, já que ficava o dia todo fora. Depois o bebê mamava e depois dávamos banho os dois juntos no nosso pequeno. O banho do Lucas passou a ser o nosso momento em família do dia. Nós três nos divertindo com o bebê relaxado na banheira. Ainda em dupla nós fazemos a última troca de fraldas da noite, passamos o creme hidratante fazendo uma leve massagem, colocamos no bebê uma roupa limpa e cheirosinha para o sono, enrolamos o bebê no charutinho, depois mamada novamente e uma linda de sono para o bebê e para os pais. Aqui funciona assim é muito bem até hoje com os três meses do Lucas. 

Raramente a rotina deu errado e bebê acordou por algum motivo. Mas o dia que me caiu a ficha de quão importante é rotina, foi justamente quando ela deu errado. Era um dia muito quente, o bebê estava agitado mesmo depois do banho relaxante. Levamos ele para o quarto para a última mamada, enrolamos ele no charutinho e ele desesperadamente não dormia, chorava e de repente, um estrondo nas fraldas e um cocô enorme vazando por todos os lados. Ó céus! Cheguei a pensar que ele não dormiria mais naquela noite e o desespero já tinha batido na minha mente. O jeito era tricar a fralda toda vazada e o macacão todo sujo. Mas e agora? Certeza que ele iria ficar ligadão. Na verdade já estava, porque depois de aliviar a barriguinha, mesmo sujo ele ria e queria brincar. Foi então que eu pensei: vamos voltar à rotina! Procedimento padrão iniciado! Vamos enganar o bebê. 

Voltamos então ao ponto depois do banho. Levamos o bebê ao trocador e fizemos tudo o que fazemos com ele depois do banho: limpamos, colocamos fralda limpa, roupa limpa, massagem com creminho hidratante, enrolamos no charutinho e ele mamou de novo. E ele dormiu! Como todos os dias, sem reclamar, sem brincar, sem brigar, sem sofrimento durante o restante da noite. O ebbe estava tão acostumando na rotina que, mesmo com um imprevisto, voltamos alguns passos na rotina e “enganamos” o bebê fazendo tudo de novo, como se já não tivéssemos feito nada disso antes. Funcionou lindamente! Essa é mais algumas vezes que surgiram imprevistos, por issoIsso troco a nossa rotina por nada. 

Se você não tem uma rotina com seus filhos, tente implementar e testar. Não torcida de rigidez, apenas de etapas previsíveis é amor. Lembre-se que antes de seguir teorias ou palpiteiros, a melhor rotina é aquela que se adapta à sua vida, da sua família e, principalmente, ao ritmo do seu bebê. Confie nele e em você, mamãe! Embora o começo seja um caos completo, as coisas se ajeitam.