A mãe da mãe 


Enquanto os olhos do mundo estão no bebê que acaba de nascer, a mãe da mãe enxerga a filha, recém-parida. O papel de avó pode esperar, pois é a sua menina que chora, com os seios a vazar.

A mãe da mãe esfrega roupinhas manchadas de cocô, varre o chão, garante o almoço. Compra pijamas de botão, lava lençóis sujos de leite e sangue. Ela sabe como é duro se tornar mãe. 

No silêncio da madrugada, pensa na filha, acordada. Quantas vezes será que foi? Aguentará a manhã com um sorriso? Leva canjica quentinha e seu bolo favorito.

Atarefada, a mãe da mãe sofre em silêncio. Em cada escolha da filha, relembra suas próprias. Diante de nova mãe, novo bebê, muito leite e tanto colo, questiona tudo o que fez, tempos atrás. Tempo que não volta mais. 

Se hoje é o que se tem, então hoje é o que é. Olha nos olhos, traz pão e café. Esse é o colo, esse é o leite. Aqui e agora, presente. 

A mãe da mãe ajuda a filha a voar. Cuida de tudo o que está às mãos para que ela se reconstrua, descubra sua nova identidade. Ela agora é mãe, mas será sempre filha.

Toda mãe recém-nascida precisa dos cuidados de outra mulher que entenda o quanto esse momento é frágil. A mãe da mãe pode ser uma irmã, amiga, doula, vizinha, tia, avó, cunhada, conhecida. O fato é que o puerpério necessita de união feminina, dessa compreensão que só outra mãe consegue ter. 

O pai é um cuidador fundamental, comanda a casa e se desdobra entre mãe e filho, mas é preciso lembrar que ele também acaba de se tornar pai, ainda que pela segunda ou terceira vez.

Texti: Marcela Feriani * Canjica

Ilustração: Bárbara Brasileiro

As dores do puerpério 


Deixa eu te contar uma coisa que ninguém conta…
Sabe depois que o bebê nasce? o puerpério (pós-parto)? Ele dói.

E não, eu não tô falando da cicatriz da sua cesárea ou dos seios rachados. Eu tô falando de dor emocional.

Sabe aquela imagem que a sociedade construiu de uma mãe radiante após parir? Ela não existe.

Não me entenda mal, é claro que você estará feliz com a chegada do seu bebê. É claro que você vai ficar horas observando aquele rostinho fascinada pela sua existência. Mas vai doer mesmo assim.

Sabe por que? Porque parto não é só nascimento, é morte também. Se ali nasceram um filho e uma mãe, ali também morreu tudo que você era até então. Não se iluda, nada mais será como antes.

Eu não tô falando do cansaço que será seu fiel companheiro, nem das poucas e corridas refeições que você fará, ou ainda dos banhos sempre interrompidos. Isso é o de menos. O que mudará de forma irreparável é sua alma.

De repente você se pega desistindo de voltar ao trabalho, você percebe que não cabe mais nos antigos planos, e que nem gostava tanto assim da sua carreira. Só que, ao mesmo tempo, a rotina vai te massacrar e enlouquecer muitas vezes, quando ao fim do dia você perceber que ainda não escovou os dentes desde que acordou.

Seu corpo, antes tão admirado e tocado, agora apresenta formas estranhas e tocá-lo ou olhá-lo é a última coisa que você deseja.

Seu marido voltará a trabalhar antes mesmo que você descubra onde estão guardados os pijaminhas sem pé, e isso também vai doer. A solidão vai doer. E você vai querer colo, mas vai ser cobrada a apenas dá-lo.

A verdade é que a sociedade não tem empatia nenhuma pela puérpera. O que ouvimos é “você está saudável, seu bebê é perfeito, porque é que você pode estar triste?! Não seja ingrata!”.

Mas o puerpério é ingrato.

Você ama enquanto sofre. Você agradece ao mesmo tempo que implora. Você quer fugir enquanto deseja mais do que tudo ficar exatamente ali.

Mas, minha amiga, não se sinta só. E saiba, isso também passa.

Não, você nunca mais será a mesma, mas acredite: você ainda agradecerá por isso e se orgulhará da fênix que toda nova-mãe é.

(Texto de: Bruna Estela)

Essa mensagem é para aquela mãe cansada!

  
Um bebê nasce apenas uma vez, mas uma mãe nasce e renasce muitas outras. E nesse processo de recomeços, descobertas, amor e aprendizado, existe também o medo, a tristeza, a renúncia e os dias negros. Nem só de luz e sorrisos é feita a maternidade. Contudo, pouco se fala abertamente sobre a escuridão materna. É um tabu.
O bebê nasce e a mãe viveu feliz para sempre. The end. Não, mas essa não é a realidade, e sim, precisamos falar sobre isso.

Os especialistas são claros em dizer que o bebê precisa se adaptar a vida fora do útero, ser cuidado e toda essa descoberta pode lhe gerar muita angústia, mas quase ninguém conta das mudanças e das angústias da mulher, numa nova vida, num recomeço agora também como mãe.

Quando você está grávida, sempre falam do amor imensurável que você irá sentir, e no geral ele vem mesmo, para algumas mais rápido, outras nem tanto, mas no geral ele vem, e é realmente imensurável e gigantesco, o que não contam é que amor demais também traz medo, o padecer e a insegurança.

A maternidade é outrora também, uma renúncia. Sim, renunciar a liberdade de tomar um banho na hora desejada, de deitar e dormir quando e como quiser. Ir e vir como bem entender. A mãe se doa por completo, e nesse processo por vezes, ela se perde. Se doa e não mais se encontra, e se culpa, se por vezes quer se reencontrar.

Tanto se fala hoje em dia sobre as famosas “crises de crescimento” que alteram o humor, apetite, sono e comportamento dos bebês. Mas o que nenhum artigo conta é que as mulheres também passam por fases de crescimento, nesse infinito crescimento como mães e como pessoa.

Educar é muito mais aprender que ensinar. Compreender é muito mais assimilar que aceitar. A mãe passa pela fase da renúncia a vida antiga, processo que varia de tempo e grau de mulher para mulher, mas que existe com todas elas. Daí ela precisa recomeçar, reaprender para por fim, renascer como mãe.

Ninguém fala que nessas fases dolorosas de crescimento e aprendizado como mãe, existirão dias em que você só gostaria de ficar sozinha, de ter colo ao invés de dar colo. Dias em que você se indagará no lugar mais secreto do seu subconsciente se fez a escolha certa ao ser mãe. Dias que perderá a paciência e sentirá todo seu corpo se corroer em dúvidas, medo e culpa. Dias escuros. E na grande maioria das vezes você sequer tem alguém para falar sobre eles.

Quantas lágrimas já não desabaram silenciosas e secretas do seu coração? O mundo parece rodeado apenas de mães felizes e realizadas.

“Não quis ser mãe, agora aguenta” é o que no geral a sociedade impõe. Não aceite este rótulo. Tem dias que você não agüenta não, porque maternidade é também um relacionamento, como qualquer outro, provido de dias ruins, dias bons, e muita entrega e estágios.
Do mesmo modo que um bebê aprende a falar, andar, comer, uma mulher também aprende a se tornar mãe. Quando se fala em desmame, desfralde, introdução alimentar dentre outros processos, sempre a preocupação e foco são o bebê. Tudo para ele não sofrer. Mas e a mãe? E aqueles pensamentos que por vezes a corroem, mas ela sequer consegue admiti-los para si.

Talvez ela só queria desmamar para poder dormir um pouco mais, sair e ter umas horas livres. Aquele xixi por toda a casa é misturado às lágrimas de cansaço e exaustão. Madrugadas em claro que quando o choro vem, você só queria chorar também e sumir. Mas não, ela sequer se permite admitir tais sentimentos, quanto menos vivenciá-los ou falar sobre eles.

Dizem que devemos criar os filhos para o mundo, ensiná-los a voar, mas ninguém nos conta o que devemos fazer quando eles simplesmente voam, e você fica ali, sentindo-se flutuar sem chão.

Mãe, se você está tendo um dia ruim, sentindo toda sua força se esvair, olhe para seu filho. Ali está sua força, descubra que você não só a doou como também a multiplicou em si. Você é maior do que pensa, e tão humana quanto qualquer outro. Você não é a pior mãe do mundo.

Todas as mães têm um baú trancafiado de dias escuros na maternidade, nós somente não falamos sobre eles, muito menos permitimos abri-lo até para nós mesmas.

Você não está sozinha. Não tenha medo da tempestade, deixe-a vir e se abrandará. Não se esconda da escuridão, se permita e enxergará a luz.

10 coisas que os homens precisam saber depois que a mulher vira mãe

  

Aquele bonequinho que acabaram de ganhar, só que infelizmente, esse manual tão desejado não existe. Enquanto o manual de instruções do bebê é algo óbvio, um manual de instruções para o pai aprender a lidar com a “nova” esposa está longe de ser algo que costuma ser solicitado… Até um determinado momento.

Quando nasce um bebê, nasce junto uma nova mulher. Temos que reconhecer, nunca mais seremos as mesmas! Tudo muda e os nossos maridos geralmente ficam perdidos em meio a tanta mudança. Vamos então ver a lista das 10 coisas que todos os novos pais deveriam saber antes da nova mãe “chegar”.

Pensando nisso, resolvi fazer uma lista de coisas que todo o marido precisa ler depois que a sua mulher vira mãe:

1. A mulher se sente feia

Há tantos sentimentos conflitantes sobre como ela se sente naquele momento com o seu corpo, que homem nenhum imagina. Por um lado, ela realmente acredita que é uma das criaturas mais incríveis do mundo porque gerou um ser humano, mas por outro lado, ela se sente muito mal com o resultado de tudo isso. Complexo, eu sei! Veja só, a barriga (uma das partes do corpo que a mulher mais preza) foi esticada e só Deus sabe como não estourou. Se ganhou estrias então, o caso fica mais grave. Ganhou peso, coisa que mulher nenhuma gosta; e provavelmente, na reta final da gravidez, inchou e ganhou algumas manchas no rosto. Que mulher iria gostar de se sentir marcada e inchada? O peito é relativo, pois tem mulher que ama ter ficado com mais peito (as que tinham pouco) e tem mulher que ainda teve que levar com uma sobrecarga de peito na coluna, porque já tinha peito demais antes de engravidar. Como vê, a parte física da coisa, muito sutilmente aqui apresentada, é de deixar qualquer mulher deitada numa cama chorando durante um bom tempo seguido. O que você pode fazer: Nunca deixe de elogiar a sua mulher, no entanto não exagere nos elogios, pois muito provavelmente a sua mulher não é cega e sabe bem o que está acontecendo com o seu corpo. Quando a elogiar, olhe nos seus olhos. Toque nela, mas toque com carinho. Nunca deixe de olhar de frente para ela. Quando ela lhe perguntar algo sobre o seu corpo, responda a verdade. Se ela tiver acima do peso, diga-lhe que ela logo irá voltar ao normal. Que o seu corpo está assim porque ela lhe deu o maior presente que poderia ter dado, e que isso para você, nesse momento, não interessa para nada.

2. A mulher está obcecada pelo bebê

Simples assim. Embora ela ainda esteja no processo de assimilar tudo o que está acontecendo com a sua vida por conta daquele bebê, e isso faça com que por breves momentos ela tenha crises de choro (o famoso baby blues) pelas mudanças irreversíveis que a sua vida sofreu, ela está completamente obcecada por ele. O que mais você vai vê-la fazendo, é tirar fotos do bebê para postar nas redes sociais, e o seu assunto não é outro, literalmente senão, O BEBÊ! O que você pode fazer: Esperar pacientemente que essa fase passe. Essa obsessão faz parte de todo o processo de adaptação. É também o instinto materno falando mais alto. Ela simplesmente não consegue controlar.

3. A mulher está com medo

Tudo é novo, você já sabe disso, mas para ela, esse novo chega a ser aterrorizante. Neste momento, a coisa que ela mais quer é não errar! É como uma prova de exame. Ela levou nove meses estudando e se preparando, e agora chegou a hora da verdade. Ela está sendo avaliada por ela mesma, antes de tudo e todos, e se cobra o tempo todo. Se permitir errar está fora de questão. Além disso, tem todo um mundo de gente opinando e querendo ajudar, o que para ela é bom, mas é sufocante. Principalmente pessoas que ela tenha uma relação delicada (geralmente a sogra). A presença de pessoas de certa forma a intimida e a deixa mais estressada. O que você pode fazer: Jogar na cara que tudo isso é hormonal simplesmente não vai ajudar… Aliás, vai piorar! Não seja mais um peso, mais um analisando, cobrando e julgando. Saiba que ela está dando o melhor que pode e sabe dar e precisa do seu apoio, do seu carinho e compreensão. Por mais que você não esteja entendendo o que está acontecendo, e ache tudo aquilo louco demais, mais uma vez, saiba que faz parte e vai passar. Tente passar-lhe confiança. Diga-lhe que errar é normal, e que o que importa realmente é que vocês estão juntos nessa e você tem certeza que ela está sendo a melhor mãe que você poderia ter escolhido para o seu filho. E se não esqueça, diga isso sempre olhando nos olhos e sempre que puder toque nela com carinho. Um abraço nessas horas e boas palavras ajudam bastante.

4. A mulher está sempre na defensiva

Imagine como fica a cabeça desta mulher. Todo o mundo tem um pitaco pra dar. A sua mãe acha que ela deve voltar logo ao trabalho, a sua tia acha que ela não está amamentando direito, a amiga que teve filho 5 semanas antes sempre querendo dar uma opinião por ter “mais experiência”, sua sogra querendo ser também mãe do bebê… Não é nada fácil e a defesa é ficar na defensiva. O que você pode fazer: Fique do lado dela (rsrs) é o melhor a fazer. Quando ela tiver calma, aí você sutilmente mostre que estão tentando ajudá-la e que ela não precisa estar tanto na defensiva, mas faça isso quando o terreno estiver seguro (rsrs).

5. A mulher não pode ficar brava com o bebê

Logicamente, a nova mamãe sabe que o grande culpado por ela não dormir, não se cuidar, não conseguir sequer socializar, é o bebê, mas ela não pode “descontar” nele a sua raiva, ele é apenas um bebê e ela sabe disso! Então quem está mais próximo costuma pagar por tudo e por nada. O que você pode fazer: Infelizmente o conselho que tenho a dar não é algo que o vá agradar muito (rsrs), mas é o único que sei que vai funcionar de verdade. Seja um saco de pancada, pelo seu filho e pela sanidade mental da sua mulher (rsrs). Essa fase também passa. Tente descontar fazendo exercício, por exemplo, ajuda bastante.

6. A mulher não tem nada pra vestir

Este ponto é mais frustração que tristeza. A mulher estava farta de vestir roupas de grávida, que geralmente não costuma ter muita variedade e tira um pouco do glamour feminino. Acaba de ter bebê e nem as suas roupas pré-mamães lhe ficam bem, nem as roupas do seu guarda-roupa pré-gestação lhe servem ainda. E pra piorar, ela se recusa a comprar roupa, pois na cabeça dela, logo ela voltará ao normal. O que você pode fazer: De fato, não tem muito a fazer. Você elogiá-la como mãe talvez desvie a atenção dela. Estimule-a a fazer uma boa alimentação, a tomar muita agua e a amamentar o bebê, pois a amamentação é o que vai fazê-la emagrecer muito rápido.

7. A mulher precisa de proteção

Acho que as mulheres sempre querem que seus homens sejam seus protetores, mas acho que essa necessidade vai muito além quando ela se torna mãe. Ela precisa que você seja a barreira entre ela e o mundo exterior. Se ela não estiver disposta a receber convidados, ela precisa que seja você a negar essa visita, por exemplo. Coisas que antes ela resolvia, neste momento ela precisa que seja você a resolver. O que você pode fazer: Para o caso de acontecer algum imprevisto que a deixe mais tensa, o ideal é ela escutar da sua boca: Deixa que eu resolvo isso!

8. A mulher precisa de permissão para descansar

A maioria das mulheres vai para a maternidade realmente acreditando que podem fazer tudo. Que todas as outras mães com casas sujas e bebês irritadiços estavam fazendo algo errado. O complexo dom maternidade leva ao esgotamento rapidinho. A pior parte é que a maioria das mães se recusa a admitir que chegaram no limite. “Dê-lhe permissão” para que a sua mulher descanse. Saliente que ela precisa tirar um cochilo ou assistir um pouco televisão para relaxar sempre que o bebê dormir. Se ela tentar argumentar, lembre-a de que você a está simplesmente protegendo… de si mesma.

9. A mulher precisa que lhe perguntem se ela precisa de alguma coisa

Estou falando isso porque eu já fui mãe e sei o quanto isso é importante. As pessoas podem ter tido experiências com outras mamães e tal, mas cada mãe tem o seu ritmo e jeito de ser, e ela gostará mais se lhe perguntarem do que ela realmente está precisando do que invadam “a sua vida” sem perguntar.

10. A mulher te ama

Ela adora ver que você também se tornou pai. Ela adora ouvir da sua boca como esse novo ser humano está mudando você. Ela adora que o pequeno ser humano tem as suas orelhas e pés. Pode não parecer lógico, mas cada vez que você se relacionar com aquele bebezinho, estará se ligando cada vez mais a ela. Ver você se transformar num paizão na primeira fila do filme da vida dela, não tem preço e acredite, em 6-8 semanas as coisas começam a melhorar.

Texto original em Papo Sincero

Pós-parto: Nós precisamos falar sobre isso

  
“Meu pós-parto não foi fácil. O pós-parto nunca é fácil. Mas não pode falar, né? Tem que estar feliz.

Tem que ter lembrancinhas cheirosas para as visitas e um bebê rosado dormindo como um anjo. No berço, tá? Se for na sua cama está errado.

Como eu gostaria que alguém tivesse me chacoalhado e me dito algumas verdades, apenas para não achar que eu era a errada da situação.

Então, hoje me dirijo à você, recém-mãe de primeira viagem…

Eu poderia te dizer que é assim mesmo, que tudo vai melhorar, que essa fase vai passar.

Mas isso para você, agora, não ameniza em nada o caos no qual sua vida se transformou.

Amamentar não é intuitivo, dói, mãe e bebê parecem não se entender, é difícil…e ninguém te contou. E ainda tem gente dizendo que seu leite é pouco, não sustenta. Ou se você precisar complementar com fórmula, também vai ter o exército do aleitamento para te crucificar.

O bebê chora, você chora junto. Você também precisa (muito) de colo, mas ninguém parece perceber nem que você está ali, quanto mais que precisa de colo.

“Não fica triste que vai passar isso pro bebê”…você revira os olhos e desconfia que as redes de proteção nas janelas não sejam para as crianças.

Você vai ficar uns meses sem dormir, vai atingir um grau de cansaço que nem sabia que existia, vai virar um zumbi cuidador de bebê. 

Não existe mais dia e noite, existe: bebê dormindo e bebê acordado. Não existe horário no relógio, existem intervalos de mamadas.

Corpo estranho, cabelo preso, pijama o dia inteiro, peito dolorido pingando leite…e às três da tarde você lembra que nem os dentes você escovou ainda.

“Meu bebê é lindo e saudável, eu deveria estar feliz! Que bicho estranho que eu sou por estar aqui depressiva, chorona e desesperada?” Você não é um bicho, você é uma mãe. Mas uma mãe tão novinha em folha quanto seu pequeno bebê, que não sabe nada de nada e está aprendendo a pilotar o avião em pleno ar.

Além de tudo, pessoas vão e vem da sua casa, interferindo num momento complicado, recluso, dando palpites irritantes e opiniões que você não pediu. Sim, é um momento de reclusão. Vocês dois precisam de PAZ.

Você até esquece que existe um mundo lá fora, onde as pessoas vão aos shoppings, almoçam, trabalham, cumprem prazos.

É isso: um confinamento regado a muito choro, inexperiência e insônia.

Você quase esquece quem você é. Ou era.

O marido, coitado, está mais perdido que você.

Como não enlouquecer?

Eu não tenho essa resposta.

O que posso e quero te dizer, de mãe para mãe, com todo o meu coração:

1 – Você não está sozinha. Estamos todas juntas, num pequeno barco em meio à tempestade chamado MATERNIDADE.

2 – Conheça e conforte seu bebê. Fique com ele no colo o tempo que você e ele quiserem. Ele precisa. É tudo novo, desconfortável e quase tudo dói. Você é a mamãe dele, ele só conhece você nesse mundo todo. Seu cheiro, sua voz, seu aconchego. Cansa. Muito. Mas dê à ele seu colinho, mamãe. Se está ruim para você, está pior pra ele, pode acreditar.

3 – Tenha paciência com a amamentação. Se precisar, procure ajuda profissional. Vocês vão se entender e chegar à um equilíbrio delicioso. Mas saiba também que não é para todas e cada uma tem seu limite. Se necessário, complemente sem remorso ou medo.

4- As cólicas provavelmente virão. Tudo que você poderá fazer é tentar aliviar esse desconforto e ter paciência até que esse período passe (pegue dicas com amigas, posso te ajudar com algumas se quiser).

5- Essa melancolia, tristeza e solidão que às vezes você sente é completamente normal. Também passa, mas você precisa querer. Precisa se ajudar.
6 – Ouça seu coração e sua intuição mais do que qualquer outra pessoa ou opinião. Você não tem a experiência, mas o filho É SEU.

7 – Se necessário, restrinja SIM as visitas. Seja chata, seja o que for, mas não sofra apenas para que as pessoas possam ver seu bebê.

8 – A maioria das pessoas tem boa intenção, mesmo quando fazem comentários inadequados. Na medida do possível, releve.

9 – Escolha um pediatra de sua confiança e uma ou duas pessoas para escutar. Ou você se perderá com tantas orientações.

10 – Esqueça um pouco os livros e tudo que você leu sobre rotina. O CERTO é o que funciona dentro da SUA realidade. E pronto.

11 – Sua vida vai voltar à normalidade, dentro agora do contexto de mãe.

12 – Você vai SIM, dar conta. Todo mundo dá, porque você seria a diferente?

13 – Tome um BOM BANHO, todos os dias. Deixe o bebê com o pai ou a avó e tome um banho decente.

14 – Você vai voltar a se sentir bonita. Seu corpo vai voltar, sua pele vai melhorar. Mas não é agora. E não é o momento de pensar nisso. O momento é de priorizar outras coisas. Isso vai acontecer naturalmente.
15 – Cada bebê é único. Por isso, novamente, conheça seu bebê. Estes primeiros meses são de conexão entre você e seu filhote. Pegue dicas com outras mães e adapte ao que funciona para vocês. Jamais o compare.

16 – Você mudou, para sempre. Dê-se tempo para entender a “nova você”. Isso demora um pouco.

17 – Tudo bem sentir saudade da “você de antes” ou da sua vida de antes. Não se sinta mal por isso.

18 – O casamento vai balançar, mas os dois terão que ser mais unidos do que nunca para passar por isso. Vai parecer uma crise, mas é só uma fase de adaptação.

19 – O pai não ajuda, o pai CRIA JUNTO. Inclua seu marido na rotina, faça-o participar. Isso não é algo que eles façam voluntariamente, pois provavelmente se sentirão excluídos e um tanto acomodados também. Você não tem que segurar a onda sozinha. NUNCA.

20 – VAI PASSAR. Tenha essa frase como seu mantra diário. Acredite. VAI PASSAR.”

Autoria: Hatanne Drummond Sardagna