A magia da cama dos pais

  A cama dos pais tem um íman e cá para mim (ninguém me convence do contrário) tem uma magia soporífera, um misterioso pó de amor impregnado nas almofadas, que faz com que os filhos adormeçam imediatamente e que o pior dos pesadelos, o mais trepidante terror noturno, fuja a sete pés.

Na cama dos pais, o último refúgio dos medos, a paz é absoluta e total.

Ali chegam, levados por pais extenuados e vencidos, ou pelo seu próprio pé, transpirados e assustados, passarinhos a voar de noite aos encontrões pelos corredores da casa, até chegarem ao lugar dos lugares. Dois colos com lençóis macios e o cheiro dos progenitores. Caem que nem tordos a dormir, apaziguados.

Os pais fingem que se importam, na manhã seguinte: «Lá foste tu para a nossa cama! Quando é que aprendes a ultrapassar os medos e a dormir sozinho? Tens de crescer!», mas nem olham muito nos olhos dos filhos quando dizem estas coisas, com medo de que eles descubram que naquele breve regresso ao ninho, ao berço inicial, os pais se enchem de amor e ternura e também eles se confortam nas suas inquietações.

Um pescoço morno. Uma mãozinha gorducha no nosso cabelo. Um pé de regresso à costela da mãe. A respiração tranquila na fronha partilhada.

O desejo secreto de que o ninho fique assim para sempre. E que a manhã demore muito a chegar.
Que o misterioso pó de amor das almofadas preserve para sempre estas excursões noturnas de mimo que não são mais do que um inteligente prenúncio, de uma saudade imensa, dos melhores dias desta vida.
(Autor desconhecido)

Fazendo as pazes com o papel do pai

  

Pai não é uma mãe quando esta está de folga. O pai é o outro adulto responsável pelo filho.

Parece óbvio, mas é cada vez mais comum ouvirmos queixas de mães de que os pais não fazem as coisas direito. Pior, também é cada vez mais comum ouvirmos pais que acreditam estar fracassando no seu papel de pai, tentando seguir à risca a função de ajudantes desastrados das mães. Acham que erram na forma de segurar o bebê, na forma de colocá-lo para dormir ou como brincam com eles, tamanha é a crítica que as mães têm lhes dirigido.

Precisamos superar a moda do empoderamento feminino e evoluir para o empoderamento de ambos os pais.

Tanto o pai como a mãe têm suas experiências, pontos de vista e opiniões e ambas são importantíssimas para a saúde emocional do bebê.
Ter pais que pensam e agem de formas distintas enriquecem a relação do bebê com o mundo e protegem-no das falhas que cada um dos pais teve no seu próprio desenvolvimento. É fácil perceber quando o pai ou a mãe tem um ponto muito sensível que os impossibilita pensar para ajudar o bebê. É quando o parceiro chega com sua história e pontos de vista diferentes e toma a dianteira com seus pensamentos e atitudes.

Muitas mães se ressentem quando sentem que os pais não as ajudam a manter as coisas como gostariam, quando na verdade elas precisariam mesmo é que eles fossem ainda mais firmes para mudarem a situação de vez. Alguns exemplos são o desmame, a hora de mandar a criança para o próprio quarto, a alimentação, dengos excessivos entre mães e filhos. Poderíamos ouvir o ele não me ajuda como ele não concorda e ampliar o sentido: Ele não ajuda porque não concorda e acha que já é hora de acabar com aquilo de uma vez por todas.

É claro que as diferenças precisam coexistir gentilmente. É bom que exista um norte comum, um certo modelo familiar que traga coerência para as experiências vividas pelo bebê. Mas pai e mãe devem respeitar e ensinar aos seus filhos, desde pequenos, que as idéias do papai e as idéias da mamãe são importantes.

Pais: Falem mais do que pensam sobre seus filhos! Eles precisam da sua firmeza. Mães: Embora não gostem de não terem os pais sempre concordando com vocês, acreditem: os pais também sabem de muitas coisas… Vai ser um alívio no final!

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Texto por Núcleo da Família – Clínica de Psicologia http://www.nucleodafamilia.com.br / Telefone: (11) 4872-2935 / e-mail: contato@nucleodafamilia.com.br / Endereço: Avenida Rouxinol, 60 – conjuntos 708/710 – Moema – São Paulo – SP / Horário de Atendimento: Segunda a Sexta das 7 às 21h

Pai em Cena – Rodrigo Souto

Quando penso em maternidade e filhos, penso em mim e em milhares de mães e pais queridos com os quais tenho contato de alguma forma e que se transformaram para melhor com a chegada dos filhos. Fato é que a maternidade é um imenso desafio, mas um caminho de aprendizado e muitas alegrias. 

Quando criei esse blog foi para expor a minha experiência com a maternidade aliada à minha paixão pela comunicação e escrita, mas seria muita alienação e arrogância da minha parte achar que o mundo gira em torno de mim, que só a minha experiência é válida e deve ser mostrada ao mundo, por isso, surgiu a sessão “Mães e Pais em Cena”, criada com o intuito de compartilhar outras lindas histórias de maternidade e paternidade com vocês. 

Hoje convidei o Rodrigo Souto, um paizão que resolveu, por amor ao filho, se aventurar como o único homem em um grupo de mães do Facebook do qual participo. Seria uma maravilha se todos os homens se preocupassem tanto com a paternidade quanto ele. Parabéns, Rodrigo!

Segue abaixo o relato simpático da experiência do Rodrigo com a paternidade.

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“A partir de um dado momento da minha vida, fiquei conhecido pela capacidade de planejamento e organização. Habilidades conquistadas com o objetivo de superar o caos da adolescência em direção a uma vida adulta. Pagar contas, dirigir, morar junto, casar, ter filhos… A vida adulta, certo?

Seria. Se não fosse o fato da vida sequer me consultar na hora de pegar todos os meus planos e jogar fora de uma hora pra outra com um sorriso no rosto.

A vida pode responder de forma bem parecida com um bebê, não é mesmo? Simpática, curiosa, surpreendente e absolutamente impaciente… É o tempo dela e não o seu!

A-GO-RAAAA!!!

Pelo menos foi assim comigo. Bem diferente do planejado.

Não planejei namorar, mas me apaixonei por uma mulher que constantemente me desafia a repensar minhas certezas… E sou muito grato por nossas diferenças! Muito me fizeram amadurecer.

Não planejei minha saída de casa pra “morar junto”, meu pai nos ajudou na mudança e ao depositar a ultima caixa no que seria o novo lar, pegou a chave da casa antiga, despediu-se e fechou a porta. Olhamos um pro outro e sorrimos… cada um do seu jeito.

Como eu soube que seria pai? No meio da madrugada fui acordado com a notícia, assim de supetão: “Você vai ser pai!”… Respondi: “Agora?! Eu dormi tanto assim?!”… Nos abraçamos e sorrimos um pouco antes de adormecer novamente… cada um do seu jeito.

Durante a gravidez, sonhamos muito nos momentos em que estávamos juntos, acrescentando a projeção do novo ser que estava a caminho… cada um do seu jeito.

Na sala de parto, ao ver pela primeira vez o meu filho, tive a impressão de ouvir a vida sussurrar no ouvido: A-GO-RAAAA!!!

E de lá pra cá se passaram quase 4 meses, muitas mudanças, quase nenhum planejamento seguido… Mas muitas experiências vividas!

Voltando para a gravidez, lembro de me sentir inseguro a respeito da chegada de um filho. Quem sou eu pra querer ensinar alguém a viver?!…

Li muito, pesquisei, pensei, pensei, pensei… Até que concluí que minha principal tarefa como pai não seria a de ensinar, mas a de mostrar as alternativas ao meu alcance, buscar novas alternativas com ele, pra que ele mesmo fosse cada vez mais capaz de fazer suas próprias escolhas… Antes dele, vivemos cada um do seu jeito… E ele chegou com um jeito próprio, que não é dela nem meu…

E estou amando reconhecer nesse ser, tão frágil e recente, uma personalidade tão marcante. Admiramos seus olhinhos de jabuticaba, seu narizinho enfezado, suas bochechas gordinhas, seu jeito carrancudo e reclamão, seus sorrisos de paralisar o coração, seu olhar que transpassa palavras e acerta em cheio o amor que nunca consegui esconder…

Aqui em casa, nos amamos muito, cada um do seu jeito… Sem seguir um planejamento rígido, tentando compreender nossos limites, objetivos, sonhos, crenças…

Afinal, me parece que não são as diferenças que mais importam, mas as semelhanças… Apesar das diferenças.”

Relato de Rodrigo Souto para o Maternidade em Cena

 

Dia Internacional da Mulher: o recado de um pai às mães 

  

“Parabéns mulheres! Me atrevi, enquanto homem, a escrever um texto no dia de vocês, pensando no melhor que eu teria para oferecer coletivamente.

Não me sinto capaz de lhes ensinar, direcionar, guiar ou conduzir… Me restou como saída apenas a abertura da minha mente em oferecimento ao tanto que já aprendi com as mulheres da minha vida!
E se alguns pensamentos aos quais tive acesso estão certos, e eu realmente acredito que estão, então viver demanda muito mais controle emocional do que pela força, e assim sendo e analisando a história da humanidade, posso dizer que vocês já governam o mundo a muito tempo!

Peço licença para expor minhas idéias, plenamente consciente da solicitude na abertura do espaço oportuno e das muitas possibilidades de equívoco na minha visão.

Aproveitarei que hoje é o Dia Internacional da Mulher para, além de parabenizá-las, contribuir para mais uma conquista que também pode ser de vocês!

Uma conquista de todos que se doam ao projeto de “educar um filho”: a participação paterna ativa.

Parece que ser um pai participativo é ser aquele que apoia sem que a mãe precise pedir. Que não acha que está ajudando e sim participando dos cuidados do bebê.

É aquele que entende que os cuidados com o filho e com a casa são deveres dos dois. Não é ajuda, é obrigação, que pode ser traduzida em divisão de tarefas.

Bem, esse é o tipo de pai que quero ser!… Sou? Acho que nem sempre… Mas, por quê?!

Um dos principais motivos que enxergo na distância dos homens em relação aos assuntos sobre cuidados com os bebês, me parece ser o machismo enraizado na nossa cultura – A virilidade separatista! (ex: “Isso é coisa de mulher!”)

Além disso, percebo uma resistência das mães em permitir uma natureza de cuidado mais masculina – A desqualificação separatista. (ex: “Homem não leva jeito pra isso…”)

Acho que pode haver, ainda, o que parece ser uma enorme autocobrança das mães por atingir um padrão de excelência nos cuidados com o filho que, se não atingido, pode se traduzir em culpa revertida em cobranças ao pai – A projeção telepática! (ex: “Eu não posso fazer tudo sozinha! Tudo precisa pedir?!”)

No passado, os pais não participavam e são reprovados por isso hoje.

Porém, alguns “poderes” que as mulheres conquistaram historicamente poderiam ser compartilhados, em termos de autoridade, uma postura mais didática e até a aceitação de que os cuidados ministrados pelos pais podem ser diferentes dos das mães.

Uma linguagem diferente mesmo, talvez nem melhor, nem pior, apenas uma forma diferente de comunicar amor ao bebê.

Parabéns! Esse é um campo de predomínio de vocês! Uma bandeira já fincada no monte da família! Ajudem-nos a subir aí e construir essa família que divide, compartilha, e onde uns cuidam dos outros.

Não é que agora as mães precisem ser eternamente gratas pelo que os pais fazem. Está melhor, mas está longe do ideal, certo? Agradeçam apenas momentaneamente…

Acho que agora os homens estão passando a dividir os olhares acusatórios e difamadores com os quais as mulheres tanto já conviveram. Mas somos inexperientes nisso, novatos, assistentes de estagiário temporário substituto. Não cometam o mesmo erro que cometemos!

Sei que quem sofre tem pressa, mas não dá pra pular certos degraus.

É como se consolidar a participação ativa dos pais fosse uma escalada rumo ao sucesso da dinâmica familiar, mas as mesmas pessoas que ficam no alto da montanha cobrando velocidade na subida, às vezes, são as que derramam óleo pelo caminho.

Apesar disso, sigo acreditando no bem que pode fazer à família a participação paterna ativa, mantenho-me trocando as fraldas, lavando a louça, alimentando, medicando, retirando o lixo, colocando pra dormir, estendendo roupa, fazendo comida e, sempre que possível, brincando muito e dando muito carinho!

Sigo, por acreditar que, mais pra frente, poderemos todos usufruir dos benefícios de ter o privilégio da convivência com crianças capazes de lidar com as questões da vida com habilidades que incluam dar e receber amor com qualidade.

Enfim, acho que o que mais importa não são nossas diferenças, mas as nossas semelhanças… Apesar das diferenças! 🙂

Feliz Dia Internacional da Mulher! (Meio machista essa data, não?!… kkk)

Obs.: Nesse texto, pai e mãe são papéis, e como tal, podem ser adaptados para quaisquer configurações familiares.”

Texto de Rodrigo Souto para Maternidade em Cena comemorando o Dia Internacional das Mulheres.