Quando educamos filhos em curto-circuito podemos gerar incêndios

Os pais são sempre grandes colaboradores, ao criarem expressões que ilustram muito claramente a dinâmica que ocorre em suas famílias.Esta veio de um pai muito querido e participativo para ajudar à esposa entender o que achava que estava errado em sua atitude para com um dos filhos do casal.

“Você age em curto-circuito. Pega o caminho mais curto, mas ele sempre dá problema”.

Num artigo muito simples para estudantes de nível fundamental abaixo citado, podemos entender do que se trata um curto-circuito e usar o conceito de circuito elétrico como uma metáfora para o funcionamento de uma família e a função de pais.

Num circuito (família) bem dimensionado, a fonte de energia sai do gerador (criança) e percorre o sistema em segurança porque há resistências (pais) pelo caminho, modulando sua intensidade.

Num curto-circuito, a energia atravessa o sistema sem passar pelas resistências, percorrendo o caminho rapidamente e “pode causar vários danos nos circuitos elétricos, pois provoca reações muito violentas em virtude da dissipação instantânea de energia. Nessas reações ocorrem explosões, dissipação de calor, produção de faíscas, etc.” segundo o professor.

Não é incrível? O caminho mais curto nem sempre é o melhor. Fazer o que sabemos que é o mais confortável para a criança nem sempre é o melhor para ela. Bater ou castigar para interromper de imediato um mau comportamento também não ensina valores.

A função dos pais é criar uma resistência protetora: pensar pela criança, aguentar sua frustração e entregar a ela o que sabem ser o melhor a longo prazo. Até porque todos se queimam no incêndio – uma família em desequilíbrio traz sofrimento para pais e filhos.

A mãe, claro, não agia em curto-circuito de má-fé ou por falta de amor. O pai, com a visão mais clara do que acontece, é quem tem maiores condições de ajudar, neste caso.

Você acha que existem curto-circuitos na sua relação com seus filhos? Atalhos que funcionam de imediato, mas que não são o caminho mais seguro? 

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Texto por Núcleo da Família – Clínica de Psicologia http://www.nucleodafamilia.com.br / Telefone: (11) 4872-2935 / e-mail: contato@nucleodafamilia.com.br / Endereço: Avenida Rouxinol, 60 – conjuntos 708/710 – Moema – São Paulo – SP / Horário de Atendimento: Segunda a Sexta das 7 às 21h

É um pedido ou uma ordem?


Quando crescem um pouco e aprendem a dominar a língua, assim como suas emoções, as crianças são grandes mestres em evidenciar os erros que os pais vieram cometendo há anos.

Muito comum crianças de 9 ou 10 anos, nos perguntarem se o que estamos propondo é um pedido ou uma ordem.

– Pedro, que tal desligar a TV e fazer a lição?

– Ah, não!

– Vai sim, senão não vai dar tempo.

– Peraí, isso é um pedido ou uma ordem?

– Uma ordem.
– Por que não falou antes?

Pedro está indignado, como toda a razão.

Claro que os pais não precisam abusar da autoridade. Numa situação como essas podem até avaliar o interesse pelo programa, o tempo que falta para terminar. Estipular um prazo, seja ao final do programa, ou em 10 minutos. Mas comunicar claramente que não é uma sugestão, nem um convite, que pode ser aceito ou não.

Qualquer pai ou mãe é capaz de catalogar uma longa lista de exemplos nos quais se desgastaram tentando convencer seus filhos a algo que sequer deveria ser posto em discussão.

Ser claro não é ser duro.

Ter o domínio da situação não é ser autoritário.

Crianças pequenas não tem condições emocionais de serem sócias no planejamento de sua vida. Crianças pequenas precisam ser conduzidas amorosamente para um caminho determinado pelos pais, os adultos responsáveis por elas.

Nossa cultura tem invertido a ordem de quem detém as escolhas. Muitos pais perguntam aos filhos para onde querem ir nas férias, onde a família vai almoçar no final de semana. É um peso enorme para a criança, já que provavelmente será cobrada de estar muito feliz, já que todos fizeram sua vontade. Problemas à vista.

Não tenha medo de resolver o que é bom para seu filho. Você tem maiores chances de acertar do que ele!

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A magia da cama dos pais

  A cama dos pais tem um íman e cá para mim (ninguém me convence do contrário) tem uma magia soporífera, um misterioso pó de amor impregnado nas almofadas, que faz com que os filhos adormeçam imediatamente e que o pior dos pesadelos, o mais trepidante terror noturno, fuja a sete pés.

Na cama dos pais, o último refúgio dos medos, a paz é absoluta e total.

Ali chegam, levados por pais extenuados e vencidos, ou pelo seu próprio pé, transpirados e assustados, passarinhos a voar de noite aos encontrões pelos corredores da casa, até chegarem ao lugar dos lugares. Dois colos com lençóis macios e o cheiro dos progenitores. Caem que nem tordos a dormir, apaziguados.

Os pais fingem que se importam, na manhã seguinte: «Lá foste tu para a nossa cama! Quando é que aprendes a ultrapassar os medos e a dormir sozinho? Tens de crescer!», mas nem olham muito nos olhos dos filhos quando dizem estas coisas, com medo de que eles descubram que naquele breve regresso ao ninho, ao berço inicial, os pais se enchem de amor e ternura e também eles se confortam nas suas inquietações.

Um pescoço morno. Uma mãozinha gorducha no nosso cabelo. Um pé de regresso à costela da mãe. A respiração tranquila na fronha partilhada.

O desejo secreto de que o ninho fique assim para sempre. E que a manhã demore muito a chegar.
Que o misterioso pó de amor das almofadas preserve para sempre estas excursões noturnas de mimo que não são mais do que um inteligente prenúncio, de uma saudade imensa, dos melhores dias desta vida.
(Autor desconhecido)

Quando surge o amor dos pais pelo bebê?

  

Em seu importante livro Pais/Bebê – a formação do apego, os pediatras e pesquisadores Klaus e Kennel, da Case Western Reserve University School of Medicine, de Ohio, fizeram esta pergunta.

Citando diferentes pesquisas, esclarecem que os primeiros sentimentos de amor pelo bebê não são, necessariamente, imediatos, no primeiro contato.

Mac. Farlane e seus colaboradores perguntaram para 97 mães, em Oxford: “Quando sentiu amor, pela primeira vez, por seu bebê?” As respostas foram: Durante a gravidez, 41%; no nascimento, 24%; na primeira semana, 27%, e, após a primeira semana, 8%.

Muitos fatores podem contribuir para a possibilidade de se encantar pelo bebê de imediato, ou não. A aceitação da gravidez, o interesse do pai pelo bebê, a existência de uma rede de apoio que proteja a mãe (familiares, amigos) e as condições do parto são algumas delas. Características físicas e da personalidade do próprio bebê também interferem, facilitando ou dificultando o interesse dos pais por ele.

Existem fortes evidências de que o contato precoce prolongado e íntimo entre pais e bebê, fortalecem o apego e a capacidade dos pais, especialmente da mãe, de encantar-se pelo bebê o suficiente para estar disponível para todos os cuidados físicos e emocionais de que ele necessita para se desenvolver adequadamente.

Babás, enfermeiras muito especializadas e avós muito dominadoras podem dificultar que os pais desenvolvam o vínculo indispensável para torná-los disponíveis para favorecer o desenvolvimento psíquico de seus bebês.
O amor materno, sublime e avassalador, pode ser um mito. Mas o mínimo de intimidade, encantamento e interesse pelo bebê são indispensáveis para seu bom desenvolvimento.
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Mãe em Cena – Com Gabriela Fazani

Quando penso em maternidade e filhos, penso em mim e em milhares de mães e pais queridos  com os quais tenho contato de alguma forma e que se transformaram para melhor com a chegada dos filhos. Fato é que a maternidade é um imenso desafio, mas um caminho de aprendizado e muitas alegrias. 

Quando criei esse blog foi para expor a minha experiência com a maternidade aliada à minha paixão pela comunicação e escrita, mas seria muita alienação e arrogância da minha parte achar que o mundo gira em torno de mim, que só a minha experiência é válida e deve ser mostrada ao mundo, por isso, hoje inauguro uma nova sessão do blog chamada “Mães e Pais em Cena” com o intuito de compartilhar outras lindas histórias de maternidade e paternidade com vocês. 

Convidei a querida amiga e colega de trabalho Gabriela Fazani para inaugurar essa série de relatos, pois engravidamos na mesma época e nossos bebês nasceram com pouco dias de diferença, ou seja, ao mesmo tempo compartilhamos o puerpério, as dificuldades de amamentação, as dúvidas, os anseios e as alegrias, mesmo de longe, e torcemos uma pela outra. Gabi, obrigada por topar participar e inaugurar a série. 

Segue abaixo o lindo relato da experiência da Gabi com a maternidade e seu filho lindo, o Samuel.

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“Antes mesmo de descobrir que estamos grávidas, a maioria de nós mulheres faz planos e idealiza como irá criar seu(s) filho(s).

Isso se torna mais marcante quando presenciamos certas cenas como, por exemplo, uma criança fazendo birra no supermercado. “Ah, se fosse meu filho…” é o primeiro pensamento que nos acomete. 

Pois bem, comigo não foi diferente. Tinha na minha cabeça uma lista de coisas que eu jamais faria. Nunca daria chupeta, nunca daria leite artificial, jamais meu filho dormiria na cama comigo. Eu só esqueci de levar em conta um detalhe: na maternidade não existe a palavra “nunca”. Eu descobri que na maternidade tudo é relativo, porque existe o ideal e existe o possível. Existe o melhor na visão geral e existe o melhor de acordo com seus instintos e necessidades.

Quando a Suzie me pediu para contar uma história marcante sobre minha maternidade, não pude pensar em outra coisa a não ser a palavra “concessões”, porque isso foi o que eu mais aprendi a fazer desde que me tornei mãe. Eu precisei passar por cima de um monte de pré-conceitos que eu havia estabelecido na minha cabeça pra fazer o que era melhor para o meu filho, para mim, para o meu marido e para o equilíbrio do meu lar. 

Com isso eu aprendi duas lições muito valiosas.

A primeira é que eu não posso julgar outras mães, porque eu não vivo a realidade delas, não sei o que as levou a tomar determinadas decisões. A máxima “ah, se fosse meu filho…” saiu completamente do meu vocabulário. 

A segunda é que eu não devo me culpar se eu tomar uma decisão que foge dos pré-conceitos que eu tinha, desde que aquilo seja o melhor para o meu filho e para minha família. Algumas decisões adversas às vezes precisam ser tomadas visando os melhores interesses do meu bebê naquele momento e eu posso me sentir segura quanto isso, independente de opiniões (leia-se palpites) alheias.

A máxima da maternidade é que existe o ideal, sim. Existe o senso comum, sim. Mas cada mãe é uma mãe e cada bebê é um bebê e vão existir situações que a regra geral não vai se aplicar e você vai ter que abrir mão dos seus pré-conceitos. 

Enfim, com a maternidade estou aprendendo que eu não posso ter controle sobre tudo e que posso confiar plenamente nesse instinto visceral que se aflora e se aperfeiçoa a cada dia. Gratidão!”

Relato de Gabriela Fazani Furtado para o Matenidade em Cena