Dia Internacional da Mulher: o recado de um pai às mães 

  

“Parabéns mulheres! Me atrevi, enquanto homem, a escrever um texto no dia de vocês, pensando no melhor que eu teria para oferecer coletivamente.

Não me sinto capaz de lhes ensinar, direcionar, guiar ou conduzir… Me restou como saída apenas a abertura da minha mente em oferecimento ao tanto que já aprendi com as mulheres da minha vida!
E se alguns pensamentos aos quais tive acesso estão certos, e eu realmente acredito que estão, então viver demanda muito mais controle emocional do que pela força, e assim sendo e analisando a história da humanidade, posso dizer que vocês já governam o mundo a muito tempo!

Peço licença para expor minhas idéias, plenamente consciente da solicitude na abertura do espaço oportuno e das muitas possibilidades de equívoco na minha visão.

Aproveitarei que hoje é o Dia Internacional da Mulher para, além de parabenizá-las, contribuir para mais uma conquista que também pode ser de vocês!

Uma conquista de todos que se doam ao projeto de “educar um filho”: a participação paterna ativa.

Parece que ser um pai participativo é ser aquele que apoia sem que a mãe precise pedir. Que não acha que está ajudando e sim participando dos cuidados do bebê.

É aquele que entende que os cuidados com o filho e com a casa são deveres dos dois. Não é ajuda, é obrigação, que pode ser traduzida em divisão de tarefas.

Bem, esse é o tipo de pai que quero ser!… Sou? Acho que nem sempre… Mas, por quê?!

Um dos principais motivos que enxergo na distância dos homens em relação aos assuntos sobre cuidados com os bebês, me parece ser o machismo enraizado na nossa cultura – A virilidade separatista! (ex: “Isso é coisa de mulher!”)

Além disso, percebo uma resistência das mães em permitir uma natureza de cuidado mais masculina – A desqualificação separatista. (ex: “Homem não leva jeito pra isso…”)

Acho que pode haver, ainda, o que parece ser uma enorme autocobrança das mães por atingir um padrão de excelência nos cuidados com o filho que, se não atingido, pode se traduzir em culpa revertida em cobranças ao pai – A projeção telepática! (ex: “Eu não posso fazer tudo sozinha! Tudo precisa pedir?!”)

No passado, os pais não participavam e são reprovados por isso hoje.

Porém, alguns “poderes” que as mulheres conquistaram historicamente poderiam ser compartilhados, em termos de autoridade, uma postura mais didática e até a aceitação de que os cuidados ministrados pelos pais podem ser diferentes dos das mães.

Uma linguagem diferente mesmo, talvez nem melhor, nem pior, apenas uma forma diferente de comunicar amor ao bebê.

Parabéns! Esse é um campo de predomínio de vocês! Uma bandeira já fincada no monte da família! Ajudem-nos a subir aí e construir essa família que divide, compartilha, e onde uns cuidam dos outros.

Não é que agora as mães precisem ser eternamente gratas pelo que os pais fazem. Está melhor, mas está longe do ideal, certo? Agradeçam apenas momentaneamente…

Acho que agora os homens estão passando a dividir os olhares acusatórios e difamadores com os quais as mulheres tanto já conviveram. Mas somos inexperientes nisso, novatos, assistentes de estagiário temporário substituto. Não cometam o mesmo erro que cometemos!

Sei que quem sofre tem pressa, mas não dá pra pular certos degraus.

É como se consolidar a participação ativa dos pais fosse uma escalada rumo ao sucesso da dinâmica familiar, mas as mesmas pessoas que ficam no alto da montanha cobrando velocidade na subida, às vezes, são as que derramam óleo pelo caminho.

Apesar disso, sigo acreditando no bem que pode fazer à família a participação paterna ativa, mantenho-me trocando as fraldas, lavando a louça, alimentando, medicando, retirando o lixo, colocando pra dormir, estendendo roupa, fazendo comida e, sempre que possível, brincando muito e dando muito carinho!

Sigo, por acreditar que, mais pra frente, poderemos todos usufruir dos benefícios de ter o privilégio da convivência com crianças capazes de lidar com as questões da vida com habilidades que incluam dar e receber amor com qualidade.

Enfim, acho que o que mais importa não são nossas diferenças, mas as nossas semelhanças… Apesar das diferenças! 🙂

Feliz Dia Internacional da Mulher! (Meio machista essa data, não?!… kkk)

Obs.: Nesse texto, pai e mãe são papéis, e como tal, podem ser adaptados para quaisquer configurações familiares.”

Texto de Rodrigo Souto para Maternidade em Cena comemorando o Dia Internacional das Mulheres.