As angústias do pós parto


As primeiras semanas do pós-parto são especialmente difíceis para a mulher. Alterações bruscas nos hormônios, as emoções vividas no parto, o reconhecimento do bebê, as alterações corporais, visitas, palpites, noites mal-dormidas, seios doloridos, dúvidas… A combinação de todos esses fatores leva cerca de 80% das mulheres a sofrerem oscilações de humor, crises de choro, exaustão, baixa auto-estima, sensação de ser incapaz de cuidar do bebê. Esse é um quadro normal, conhecido como baby blues, ou tristeza materna. Tende a diminuir no decorrer do primeiro mês.

Se este estado, entretanto, incapacitar a mãe de cuidar do bebê, ou for de uma intensidade muito perturbadora, pode se tratar de uma depressão pós-parto. Falta de suporte familiar, gravidez não planejada ou fruto de tratamentos, relações difíceis com a própria mãe, lutos e histórico de depressões anteriores, podem facilitar o surgimento deste quadro. Neste caso, considerando a importância deste período para o desenvolvimento do bebê, é necessária intervenção profissional, e eventualmente se considerar medicação para aliviar os sintomas. Muitos medicamentos são seguros, mesmo para a mulher que deseja amamentar.

É importante lembrar que a depressão pós-parto pode aparecer e perdurar até o segundo ano de vida do bebê.

Suporte familiar, momentos de folga e descanso dos cuidados com o recém-nascido são fundamentais para atenuar os sintomas nestes casos.

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Texto por Núcleo da Família – Clínica de Psicologia http://www.nucleodafamilia.com.br / Telefone: (11) 4872-2935 / e-mail: contato@nucleodafamilia.com.br / Endereço: Avenida Rouxinol, 60 – conjuntos 708/710 – Moema – São Paulo – SP / Horário de Atendimento: Segunda a Sexta das 7 às 21h

Essa mensagem é para aquela mãe cansada!

  
Um bebê nasce apenas uma vez, mas uma mãe nasce e renasce muitas outras. E nesse processo de recomeços, descobertas, amor e aprendizado, existe também o medo, a tristeza, a renúncia e os dias negros. Nem só de luz e sorrisos é feita a maternidade. Contudo, pouco se fala abertamente sobre a escuridão materna. É um tabu.
O bebê nasce e a mãe viveu feliz para sempre. The end. Não, mas essa não é a realidade, e sim, precisamos falar sobre isso.

Os especialistas são claros em dizer que o bebê precisa se adaptar a vida fora do útero, ser cuidado e toda essa descoberta pode lhe gerar muita angústia, mas quase ninguém conta das mudanças e das angústias da mulher, numa nova vida, num recomeço agora também como mãe.

Quando você está grávida, sempre falam do amor imensurável que você irá sentir, e no geral ele vem mesmo, para algumas mais rápido, outras nem tanto, mas no geral ele vem, e é realmente imensurável e gigantesco, o que não contam é que amor demais também traz medo, o padecer e a insegurança.

A maternidade é outrora também, uma renúncia. Sim, renunciar a liberdade de tomar um banho na hora desejada, de deitar e dormir quando e como quiser. Ir e vir como bem entender. A mãe se doa por completo, e nesse processo por vezes, ela se perde. Se doa e não mais se encontra, e se culpa, se por vezes quer se reencontrar.

Tanto se fala hoje em dia sobre as famosas “crises de crescimento” que alteram o humor, apetite, sono e comportamento dos bebês. Mas o que nenhum artigo conta é que as mulheres também passam por fases de crescimento, nesse infinito crescimento como mães e como pessoa.

Educar é muito mais aprender que ensinar. Compreender é muito mais assimilar que aceitar. A mãe passa pela fase da renúncia a vida antiga, processo que varia de tempo e grau de mulher para mulher, mas que existe com todas elas. Daí ela precisa recomeçar, reaprender para por fim, renascer como mãe.

Ninguém fala que nessas fases dolorosas de crescimento e aprendizado como mãe, existirão dias em que você só gostaria de ficar sozinha, de ter colo ao invés de dar colo. Dias em que você se indagará no lugar mais secreto do seu subconsciente se fez a escolha certa ao ser mãe. Dias que perderá a paciência e sentirá todo seu corpo se corroer em dúvidas, medo e culpa. Dias escuros. E na grande maioria das vezes você sequer tem alguém para falar sobre eles.

Quantas lágrimas já não desabaram silenciosas e secretas do seu coração? O mundo parece rodeado apenas de mães felizes e realizadas.

“Não quis ser mãe, agora aguenta” é o que no geral a sociedade impõe. Não aceite este rótulo. Tem dias que você não agüenta não, porque maternidade é também um relacionamento, como qualquer outro, provido de dias ruins, dias bons, e muita entrega e estágios.
Do mesmo modo que um bebê aprende a falar, andar, comer, uma mulher também aprende a se tornar mãe. Quando se fala em desmame, desfralde, introdução alimentar dentre outros processos, sempre a preocupação e foco são o bebê. Tudo para ele não sofrer. Mas e a mãe? E aqueles pensamentos que por vezes a corroem, mas ela sequer consegue admiti-los para si.

Talvez ela só queria desmamar para poder dormir um pouco mais, sair e ter umas horas livres. Aquele xixi por toda a casa é misturado às lágrimas de cansaço e exaustão. Madrugadas em claro que quando o choro vem, você só queria chorar também e sumir. Mas não, ela sequer se permite admitir tais sentimentos, quanto menos vivenciá-los ou falar sobre eles.

Dizem que devemos criar os filhos para o mundo, ensiná-los a voar, mas ninguém nos conta o que devemos fazer quando eles simplesmente voam, e você fica ali, sentindo-se flutuar sem chão.

Mãe, se você está tendo um dia ruim, sentindo toda sua força se esvair, olhe para seu filho. Ali está sua força, descubra que você não só a doou como também a multiplicou em si. Você é maior do que pensa, e tão humana quanto qualquer outro. Você não é a pior mãe do mundo.

Todas as mães têm um baú trancafiado de dias escuros na maternidade, nós somente não falamos sobre eles, muito menos permitimos abri-lo até para nós mesmas.

Você não está sozinha. Não tenha medo da tempestade, deixe-a vir e se abrandará. Não se esconda da escuridão, se permita e enxergará a luz.

Depressão pós-parto mascarada, ou maternidade branca. Conheça as consequências para o bebê.

  
Os sintomas que conhecemos como sinais de depressão, como cansaço, abatimento, choro e irritabilidade nem sempre estão presentes nas depressões pós-parto.
Muitas vezes a mãe não se permite falar que não suporta o choro do bebê, ou que os cuidados que dá a ele são mecânicos, sem emoção.

O nascimento de um bebê é socialmente visto como um evento feliz e muitas vezes a mulher não admite nem para ela mesma que não está bem.

Serge Stoléru e Ph. Mazet analisaram as interações de mães deprimidas com seus bebês e perceberam menores trocas de olhares e expressão facial e um aumento da manipulação do corpo do bebê. Eles perceberam que estas mães se comunicam menos com seus bebês, mas os tocam de maneira mais mecânica e com rupturas bruscas durante o contato.

Estes pesquisadores também descreveram como estas mães, muitas vezes, se sentem rejeitadas ou não valorizadas por seus bebês e reagem interrompendo o contato e colocando-os no berço, por exemplo.

Estas mães se culpam por não estarem se relacionando como gostariam com seus bebês, o que gera muita culpa e piora os sintomas de incapacidade e exaustão.

A depressão pós-parto pode levar à depressão do bebê ou da criança, dificuldades de atenção, maior número de acidentes domésticos e até maus tratos e que pode perdurar por até dois anos após o nascimento do bebê.

É importante identificar e tratar essa “maternidade branca”, vivida sem afetos, racionalizada e técnica, já que ela irá dificultar o desenvolvimento cognitivo e emocional da criança.

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