O Começo da Vida

Quem não viu ainda o filme “O começo da vida” dirigido por Estella Renner e produzido por Maria Farinha Filmes, precisa ver. Precisa ver quem é mãe, quem é pai, quem é avó, quem é avô, quem tem filhos, quem não tem, quem quer ter, quem não quer. Todo mundo deveria ver esse documentário lindo com foco nos primeiros 1000 dias das crianças.  

O documentário mostra entrevistas com especialistas e histórias de famílias das mais diversas culturas e classes sociais em países como Brasil, Canadá, Índia, China, Quênia, Itália, Argentina, Estados Unidos e França.

O filme conta as histórias de famílias como a de Gisele Bündchen e a de Phula, uma menina que cuida sozinha dos irmãos em uma comunidade indiana em meio a obras em construção.

Mas, mais do que isso, o documentário traz à tona um olhar esquecido sobre as crianças. Vejam só que é justamente nessa primeira infância que se forma a personalidade e o caráter do ser humano. São esses primeiros 1000 dias do bebê que fazem diferença para a humanidade. E, se não nos preocuparmos com isso, como será o futuro? E não basta apenas nos preocuparmos com os nossos filhos nessa etapa. Preocupar-se com toda e qualquer criança nessa idade, especialmente nessa idade, significa construir um mundo melhor para também os nossos filhos viverem. 

O documentário sensível mostra diversas família, em posições, classes econômicas e concepções diferentes. Não importa se um casal gay ou hetero, ou o avós que cuidem da criança, o que ela precisa, mais do que nunca nessa fase da vida, é amor, atenção e segurança.

Um dos personagens reais do documentário toca numa ferida social em relação ao cuidado com as crianças. O cuidar de uma criança não é valorizado. Cuidar de uma criança para a sociedade atual não significa nada. Mulheres trabalham sem licença maternidade, outras deixam de amamentar para voltar a trabalhar, mães e pais quase não veem os filhos porque passam horas para ir e vir de seus empregos. São nesses primeiros 1000 dias das crianças que formamos a humanidade é isso não é nada para a maioria da pessoas. Não há valorização para quem “apenas” cuida de uma criança. Devido às pressões sociais para a mulher voltar ao trabalho, muito fala-se em tempo de qualidade com os filhos. Achei interessante a visão dessa personagem real do vídeo de que mostra que crianças não querem qualidade só, quem quantidade mesmo. Crianças precisam de tempo, muito tempo de dedicação dos pais. E ela comenta, ironicamente, “o que é tempo de qualidade? Peça ao seu chefe para que ele te deixe trabalhar 10 minutos por dia, mas diga que nesses 10 minutos você trabalhará com qualidade!”. Pra se pensar, e muito, sobre o assunto. Estamos valorizando o que realmente importa?

Outro personagem real do documentário disse o que me atingiu diretamente ao coração, e que eu quero lembrar sempre que olhar para o meu filho: “Meus filhos não querem saber se eu sou importante ou se eu ganho dinheiro. Eles só querem saber se eu estou presente.” E, coincidentemente, uma enxurrada de ciscos caíram nos meus olhos nesse momento. 😉

O filme ainda aborda a importância do pai na vida dos filhos, que pai não é ajudante da mãe, mas tão responsável quanto a mãe na criação e cuidado dos filhos. Aborda a importância da licença maternidade para mães e pais dedicarem tempo integral aos seus filhos e quanta sensibilidade ainda falta à nossa sociedade para entender que esse tempo dedicado aos bebês  é o investimento mais rentável e eficaz para garantir um futuro melhor para todos.

Lindo documentário! Vale a pena ver cada minuto. E eu ainda fui vê-lo em família! Assistimos eu, meu marido e meu bebê em uma das sessões do CineMaterna.

O CineMaterna compromete-se com: 

  • Resgate social da puérpera (mãe de um recém-nascido) através da cultura;
  • Incentivar a troca de experiências entre mulheres sobre as diversas questões da maternidade, sempre com o intuito de difundir a cultura;
  • Promoção da segurança alimentar e nutricional.

O CineMaterna organiza sessões especiais de cinema para mães com bebês de 0 até 18 meses. Papais e acompanhantes também são bem vindos.

Os filmes exibidos em geral são de temática adulta – portanto, entretenimento para mães e pais, mas em ambiente especialmente preparado para os bebês. As sessões disponíveis para o CineMaterna em geral são as primeiras sessões do cinema naquele dia, garantindo que as salas estejam higienização para receber os pequenos visitantes ainda sensíveis ao mundo novo. No cinema as portas costumam ficar abertas, para circulação fácil de pais, mães e bebês, o ar condicionado é mais ameno para garantir o conforto dos pequenos e também o som dos filmes é mais baixo do que nas sessões convencionais. Além disso as salas são esquipadas com trocadores de fraldas e logo após a sessão as mães podem se reunir para um bate papo sobre maternidade. 

No site do CineMaterna você encontra mais informações sobre as datas, locais, filmes e horários das sessões para levar o seu bebê. Há várias localidades em todo o Brasil.

“O começo da vida” não foi o primeiro filme que eu vi através do CineMaterna, mas sempre é uma bo experiência usar o cinema para o retorno da mãe, aos poucos, à sociedade após a maternidade. Recomendo!