Meus filhos…


Eles são o nó no meu cabelo, o esmalte descascado na minha unha, as olheiras no meu rosto.

Eles são o brinquedo na gaveta de roupas, o amassado nas páginas do meu livro, o rasgado no meu caderno de anotações.

Eles são o melado no controle remoto, o canal de televisão, o filme no DVD.

Eles são o farelo no sofá, as tesouras no alto.

Eles são o backup no computador, o mouse escondido, as cadeiras longe da janela.

Eles são a marca de mão nos móveis, o embaçado nos vidros, o desfiado nos tecidos.

Eles são o ventilador desligado, a porta do banheiro fechada, a gaveta da cômoda aberta.

Eles são o coque na minha cabeça, o amarrotado nas roupas, as frutas fora da fruteira, os panos de prato amarrando os armários.

Eles são o meu shampoo cheio de água, a espuma no chão do banheiro, o brinquedo dentro da privada.

Eles são o interruptor nas tomadas. Eles são o peixe no aquário, a árvore de natal, os “pisca-pisca” de todas as casas.

Eles são o círculo, o susto…

A primeira visão da lua no começo da noite…

O valor do trabalho, a vontade de aprender, a minha força, a minha fraqueza, a minha riqueza.

Eles são o aperto no meu peito diante de uma escada, a ausência de sono diante de uma febre.

Eles são o meu impulso, o meu reflexo, a minha velocidade. O cheirinho no meu travesseiro, o barulho, a metade, o azul, o rosa.

Eles são o vazio triste no silêncio de dormir, o meu sono leve durante a noite.

Eles são o meu ouvido aguçado enquanto durmo. A minha pressa de levantar da cama, a minha espera de bom dia.

Eles são o arrepio quando me chamam, a paz quando me abraçam, a emoção quando me olham.

Eles são meu cuidado, a minha fé, o meu interesse pela vida, a minha admiração pelas crianças, o meu respeito pelas pessoas, o meu amor por Deus.

São o meu ontem, o meu hoje, o meu amanhã.

Eles são a vontade, a inspiração, a poesia. A lição, o dever.

Eles são a presença, a surpresa, a esperança, a minha dedicação, a minha oração, a minha gratidão, o meu amor mais puro e bonito. Eles são a minha vida!